Chaves - Faro - Estrada Nacional 2 de Bicicleta

 


Sábado 22 de agosto de 2020 eram 07:30 am e já tínhamos chegado a Chaves. Tínhamos pela frente a tarefa de montar os atrelados, pois os mesmos vinham desmontados, e, para facilitar o transporte decidimos montá-los só em Chaves no dia de início da aventura.



Entre alicates e parafusos, já eram 8.30 quando terminamos a montagem e nos encontrávamos praticamente prontos para dar inicio à nossa digressão pela EN 2. Circulamos até à rotunda onde estava o marco do km 0 para selfie da praxe e lá arrancamos nós.

Ainda de sorrisos nos lábios e ainda mal tínhamos começado, ouvimos um estrondo... A roda esquerda do atrelado do Carvalho tinha acabado de rebentar. Xiiiii mas quase no primeiro km e já estávamos com problemas nos atrelados? A situação criou alguma apreensão quanto à viabilidade de terminarmos a aventura com os reboques. Afinal de contas ainda tínhamos mais de 700 km pela frente. 

Paramos, subimos ao passeio e ligamos ao Manel que estava no centro de Chaves à espera que os cafés abrissem para nos carimbar os passaportes. Passado 10 minutos lá estava o homem! Em um movimento estonteantemente rápido, abrimos as portas traseiras do carrinha e colocamos o reboque do Carvalho lá dentro para que o Manuel ficasse com ele e trocasse a câmara logo que as lojas abrissem. Eu e o Carvalho, sem perder tempo, lá nos metemos de novo na estrada. Não queríamos falhar com o objectivo de chegar a Lamego nesse dia.

Os km's foram passando tranquilamente sem nada de especial a registar até chegar ao Vidago. Ali, tínhamos planeado visitar a nascente das famosas Àguas Campilho mas, devido à situação do Covid-19 as visitas estavam interditas. Tiramos uma selfie e lá seguimos viagem.



Chegamos a Pedras Salgadas e quando estávamos a tirar a selfie do km 30 ouvimos uma buzina atrás de nós, era o Manel que já trazia o atrelado do carvalho concertado e para revitalizar as energias, trouxe também uma sandes de presunto para cada um de nós. Tiramos as selfies, fomos ao posto de turismo carimbar os passaportes, "devoramos" as sandes e voltamos ao pedal.





Pedalamos cerca de 2 km e encontramos uma placa enorme que tinha escrito "Vila Meã" algo nos arrepiou a alma... Estávamos perante uma aldeia com o mesmo nome da nossa querida terra. Prontos... Há que fazer uma paragem para uma selfie obrigatória.



Lá continuamos em direcção a Vila Pouca de Aguiar que ficava ali a escassos km's. Já em Vila Pouca, demos uma volta rápida pelo centro, fomos ao posto de turismo carimbar o passaporte e seguimos viagem. À saída, paragem rápida para selfie na anta de Vila Pouca.





De novo na estrada e até Vila Real nada merecedor de registo à excepção do marco do km 50.




Passamos pela cidade de Vila Real por volta da hora de almoço, foi aqui e bem em pleno centro da cidade que o Mr. Carvalho decidiu subir um passeio e capotar o seu atrelado sem que desse fé de tal feito. Fui eu que ao olhar para trás reparei que ele trazia o atrelado de rastos e o alertei para a situação. Imaginem bem a força bruta que o homem trazia nas pernas! Entre risos e gargalhadas partilhados com os automobilistas e turistas que circulavam por aquela zona, lá colocamos o atrelado direito e continuamos. Uma paragem rápida no centro de turismo para o carimbo e lá seguimos viagem.

Já fora da cidade e antes de começar a subir para a Cumieira, paramos numas bombas de gasolina para comer qualquer coisa rápida: uma sande, uma nata, uma cola e um café para cada um de nós. Foi uma paragem de 20 minutos e lá seguimos...

Depois de passarmos por baixo da ponte da A4 começaram a aparecer de imediato as paisagens típicas do Douro Vinhateiro, enquanto nos deliciávamos com as mesmas, surgiu o famoso marco do km 69.





 Dali em diante até à Régua, sabíamos que a estrada era praticamente sempre a descer. Aproveitamos a oportunidade para relaxar e apreciar as paisagens enquanto descíamos. A meio e porque o aspecto era convidativo, paramos para deliciar uma cacho de uvas brancas cada um.







Depois de uma pequena subida, lá chegamos a Santa Marta de Penaguião. Este é município promotor da Rotan2. Ali, enquanto atravessávamos a vila, sofri uma bela dose de karma, chegara a hora de ser eu a capotar o atrelado, as esplanadas estavam cheias de gente... Estão a imaginar a risota? O Carvalho quase caía da bicicleta a baixo de tanto se rir da minha figura. Ainda estava eu a por o carrinho direito e somos abordados por uma família que seguia de carro e também estavam a fazer a N2 para ver se nos podiam tirar uma foto, ao que respondemos prontamente que sim. Mais tarde, e, por força do acaso viemos a descobrir que se tratava da família da Carla Fernandes (vão perceber mais adiante).




Passaportes carimbados e lá seguimos em direcção à Régua. Os socalcos do Douro Vinhateiro começavam a ficar mais delineados, e, para ajudar à festas, começamos a avistar o majestoso Rio Douro. Toda aquela envolvência era de cortar a respiração. Foi assim durante os restantes km até à Régua!




Já na Régua, fomos directos ao posto de turismo, carimbamos os passaportes e logo junto ao espaço paramos para beber uma Super Bock enquanto aguardávamos a chegada do Manel que tinha ido deixar a carrinha a Lamego e veio de bike ao nosso encontro. Aproveitamos aquele momento para tirar algumas fotos. 





O Manel chegou e não trouxe boas notícias ahahahah. Os 14 km que faltavam até Lamego eram sempre a subir! Mas quê? Fugir? Não! Eram mesmo para nós. Lá colocamos pés nos pedais e seguimos viagem.

Da Régua a Lamego tivemos mais paisagens fantásticas. A meio da subida paramos para comprar alguma fruta caseira na D. Rosa (nome fictício) e ali passamos uns bons vinte minutos de conversa. Convém mencionar que a subir para Lamego, deixamos a barragem da Varosa por visitar. Este é um ponto de interesse fantástico, portanto se tiverem oportunidade visitem.






Eram 18.30 quando chegamos a Lamego, procuramos o posto de turismo para carimbar o passaporte e começamos de imediato a procurar uma loja de bikes pois detectamos que o pneu do atrelado do Carvalho que rebentou logo a sair de Chaves, tinha ficado ofendido e seria melhor trocá-lo para evitar que voltasse a dar problemas durante o resto da viagem. Apesar da hora, ainda conseguimos que o mecânico a KTM fizesse essa troca. Já passavam das 19:00 quando saímos da KTM em direcção ao parque de campismo.







Chegados ao parque de campismo e com o check-in já previamente feito pelo Manel foi só montar a tenda. No socalco de baixo imaginem quem a gente encontrou? A família da Carla, a família que pediu para nos fotografar em Vila Pouca de Aguiar. Trocamos 5 minutos de conversa e lá fomos nós para a "cozinha" ali acompanhamos e auxiliamos dentro do possível o Manel que preparava o prometido arroz de frango caseiro. Jantamos já passava das 23h. Na fase do café e Xripiti aproximou-se de nós o Miguel Vale, um motard que estava por lá acampado e também estava a fazer a nacional 2. Acabou por beber connosco um café e um xiripiti que lhe valeu uma ajuda a arrumar a loiça eheheheh. Pelas 0:00 e com o parque já completamente em silêncio também nós fomos descansar.


Eram 5.30 am do dia 23 de agosto e já o meu despertador tocava. Teríamos pela frente a etapa mais longa e dura de toda a jornada que começaria com 14 km sempre a subir até ao alto da Serra de Montemuro. Desmontamos a tenda, enchemos os bidões de água e lá nos colocamos novamente na estrada.


Dali em diante e até Castro Daire só registamos a paragem no santuário da nossa senhora da Guia:


Já em Casto Daire paramos na pastelaria "Celeiro do Pão" e tomamos lá o pequeno almoço. No final pedimos um "Bolo Podre" (doce típico) para a gente provar e levar uma parte para a viagem.



Fomos ao Museu Municipal carimbar o passaporte, paramos no marco de Castro Daire, tiramos mais algumas fotos e lá seguimos viagem.





Descemos até à ponte que atravessa o rio Paiva e onde começa o desvio da N2 devido ao aluimento de terras nesta parte do troço. De bicicleta ou moto passa-se relativamente bem. Os trabalhos de concertação estão a decorrer a bom ritmo e esta situação não deverá manter-se por muito mais tempo.

O Carvalho aproveito o início de mais uma subida para trocar de calções e se reidratar.




Lá seguimos sem grande percalços até às termas do Carvalhal, aproveitando a presença do Manuel na carrinha lá lhe pedimos para passar por lá para carimbar o passaporte.


Logo adiante passamos o marco do km 150.



Os 20 km que nos separavam até Viseu foi um sobe e desce constante mas sem nada de especial a registar.

Já em Viseu o Manuel ficou incumbido de carimbar o passaporte. Nós paramos só para uma fotos e lá seguimos viagem sem encontrar o marco de Viseu alusivo às comemorações dos 75 anos da EN2.





De Viseu em diante e pelo menos até Penacova, todas as marcações da EN 2 são praticamente inexistentes, nem o marco do km 200 existe. Nós como tínhamos GPS não tivemos grandes dificuldades. 

Eram já 14:00 quando paramos para almoçar.

De energias repostas lá seguimos nós em direcção a Tondela.

Já em Tondela e com o centro de turismo fechado, carimbamos o passaporte num café. A paragem foi rápida pois já estávamos bastante atrasados.




O próximo destino era Santa Comba Dão, em ritmo de verdadeiros ciclistas chegamos lá num ápice. Em Santa Comba recebemos um telefonema do Manel a dizer que se tinha perdido na carrinha devido à falta de marcações na estrada. Enquanto o tentamos orientar até à nossa localização, bebemos uma Super fresquinha e o Carvalho foi carimbar o passaporte ao centro de turismo. De lá trouxe uma informação crucial. Logo a baixo teríamos de atravessar a ponte do IP3 (há autorização legal para o fazer a pé e de bicicleta) para voltar a apanhar a N2 do outro lado do rio.




Depois da travessia da ponte do IP3 e já na N2 passamos pela casa onde nasceu o Dr. Oliveira Salazar



Voltamos à estrada e dali até Penacova foi sempre a rolar, de registar a passagem pela barragem da Aguieira e pela Livraria do Mondego. De frisar que estes foram os km mais confusos de toda a nossa aventura. Mais uma vez valeu à gente levar o GPS e as sugestões de um ou outro residente. Deixo aqui um apelo aos autarcas desta região para tentarem fazer mais para melhorar as informações referentes à antiga N2. Não se esqueçam dos ciclistas e dos caminheiros que também são importantes para a consolidação desta rota.








Uma vez que o centro de Penacova ficava ligeiramente desviada da nossa rota, tínhamos pedido previamente ao Manel para ir lá de carro carimbar o passaporte. Nós de bicicleta nem paramos, seguimos logo em direcção a Vila Nova de Poiares. Depois de um bom acumulativo nas pernas apanhamos mais uma subida engraçada até lá. 

Chegados a Vila Nova de Poiares e com a hora já bastante adiantada, paramos no Central Bar para beber uma cervejinha e tirar a selfie da praxe.






Saímos do Central Bar já muito próximo das 20:00 e ainda nos faltavam 30 km até Góis. Sorte que mais de metade destes km's eram a descer.
Chegamos a Góis já passava das 21:15h cansados e famintos. O Manuel já tinha tratado do alojamento e já estava sentado na mesa do restaurante à nossa espera. Foi só chegar e comer!
Depois do jantar fomos tirar uma fotos à entrar do Moto Clube de Góis.



Pernoitamos tranquilamente por Góis na residencial Santo António. Aqui fomos super bem tratados ao que recomendamos vivamente estes serviços.

Dia 24 de Agosto, 5.30 e o despertador já se fazia ouvir. Hoje tínhamos uma etapa mais curta mas à semelhança da anterior com bastante acumulado positivo.
Eram 6.45 a.m e já estávamos em cima das bikes a atravessar a ponte real de Góis. Sabíamos que para sair do vale de Góis teríamos de subir cerca de 14 km como jeito de "pequeno almoço".
Lá seguimos em direcção a Pedrogão Grande ficando para registo as belas paisagens, as belas aldeias de montanha, o marco do km 300 e a passagem por Picha e Venda da Gaita, duas localidades cujo nome são verdadeiros ícones da N2.







Paragem técnica para a bifana por volta das 10.30. Este foi o nosso verdadeiro pequeno almoço do dia.










Eram 11:15 quando chegamos a Pedrógão Grande. Tiramos uma foto, carimbamos o passaporte e seguimos viagem.



Logo depois de Pedrogão fizemos a travessia da barragem da imponente barragem do Cabril, mais uma breve paragem para apreciar o panorama e tirar mais uma fotos. 





A escassos metros da barragem o marco do km 333 e o marco comemorativo dos 75 anos da EN2 que nos dava as boas vindas ao município da Sertã. Eram cerca das 12:15 e já só pensávamos na Sertã onde estava o Manel com a mesa já reservada para deliciarmos um bom prato de caracóis.





Chegamos à Sertã já passavam 10 minutos das 13:00. Encontramos dois senhores de Sintra que estavam por lá de fim-de-semana que nos parabenizaram pela nossa coragem e aventura. Posto isto ligamos ao Manel que prontamente nos deu as coordenadas do restaurante "O Palheiro" onde já estava com a mesa reservada. O restaurante localizado junto à ponte da romana da Carvalha que serve para fazer a travessia pedonal da ribeira da Sertã.
Ali deliciamos os caracóis regados por uma bela Super Bock fresquinha. Rejuvenescemos 10 anos e acumulamos energias para o resto do percurso da etapa.



Lá seguimos viagem, desta vez o próximo destino seria o centro geodésico de Portugal que fica localizado em Vila de Rei. O calor estava abrasador e as subidas que nos esperavam era longas, a juntar a isto e ainda a caminho do centro geodésico eis que surge o primeiro furo na minha bike em plena variante. Paramos numa sombra improvisada e lá trocamos a câmara.




Câmara já trocada, lá seguimos em direcção ao marco geodésico. Depois de subirmos por vários km debaixo de um calor abrasador, e, como se já não tivéssemos subido o suficiente, mais umas subidas íngremes nos aguardavam antes de chegarmos ao marco.






Entre motos e grandes carros, naquele momento as nossas bikes eram o centro das atenções. Muitos quiseram tirar uma foto, enquanto outros sorriam sussurrando (sabe-se lá bem o quê) mas imagino! Deviam estar a pensar em voz alta "Estes tipos não batem bem da vitola". 
Depois de uma série de fotos e de apreciar a fantástica paisagem, lá seguimos variante abaixo até Vila de Rei. Por ali paramos para comer qualquer coisa mais propriamente no restaurante "A tasquinha da Vila". Pedimos alguma coisa para comer ao que nos sugeriram uma bifana à moda da casa e que rica sugestão, a bifana em modo de prego no pão estava excelente.



De estômago mais composto lá seguimos viagem, ali tínhamos de decidir se seguíamos pela variante (nova N2) directos a Abrantes ou se seguíamos pela velhinha e original N2 com a recompensa de passar no tão badalado "Penedo Furado". Olhei para o carvalho, o Carvalho olhou para mim e sem ponto de hesitação lá seguimos nós pela antiga EN2. Poucos KM depois passamos o marco que indicava que metade da nossa viagem já estava concluída, era ele o marco do km 369.


Sem grande azáfama e quase sem trânsito nenhum, rapidamente chegamos ao miradouro das "Fragas de Rabadão" e ao famoso "Penedo Furado".






Penedo  Furado




Observamos tudo o que a natureza nos tinha para oferecer, tiramos umas quantas fotos e lá seguimos viagem.
Depois de terminar mais 3 km de subida, mesmo antes de começar a descer para o Sardoal, eis que nos aparecem estas originais indicações na freguesia de São Domingos.




Continuamos pela EN2 original. Passamos pelo Sardoal sempre pela velhina EN2, tiramos uma selfie rápida e seguimos em direcção ao destino da etapa que era Abrantes.


 
Até a Abrantes lá continuamos pela antiguinha EN2 que mantinha os marcos mas com designações diferentes. Chegamos ao destino por volta das 20:15. Seguimos até à pousada da juventude da mesma cidade onde pernoitamos. Efectuamos o check-in, tomamos um duche rápido e fomos jantar ao restaurante "A Paragem do Motorista".

Dia 25 de agosto, o despertador toca às 6:00am. Foi levantar, tomar o pequeno almoço, trocar as pastilhas dos travões ao Carvalho e às 7:00am já estavamos a pedalar.
O terreno e a arquitectura começava a mudar faseadamente. Estávamos a entrar no Ribatejo e as paisagens falavam por si. As longas rectas e ausência de longas subidas era o que mais se evidenciava. Estávamos a fazer médias de mais de 20 km/h.



Eram 9:20 am e já estávamos a passar Ponte-de-Sôr.



Daqui em diante o trânsito intensificou-se o que nos obrigou a redobrar a atenção. De Ponte-de-Sôr a Mora passamos por alguns pontos interessantes nomeadamente pelo Marco do km 444, marco do km 450 e pela Albufeira de barragem de Montargil.








Paragem técnica para a bifana no restaurante "Sabores do Rio"


Depois de tudo deglutinado, lá seguimos em direcção a Mora.
Chegamos a Mora por volta das 12:45. Devido ao estado de alerta em que se encontrava o Município, pouco ou nada fizemos por lá. As pessoas olhavam com olhares de desconfiança para nós e os pouco habitantes que vimos na ruam usavam máscara ao ar-livre. Necessitávamos urgentemente de água mas decidimos sair dali sem grandes demoras.




O calor começou a apertar e a ânsia por água também, felizmente alguns km à frente chegamos a Brotas e imaginem lá, junto à estrada um fontanário a jorrar água. Respiramos de alívio, atestamos todos os nossos recipientes e seguimos viagem. 
Deixamos para trás mais uma aldeia deserta devido ao efeito do Covid-19.






Lá continuamos debaixo de um calor abrasador, as sombras eram raras e os termómetros deviam estar acima dos 35ºC. Nesta fase começamos a dar valor ao termo alentejano "descansar à sombra do chaparro", porque de facto era à sombra dos chaparros que nos sentíamos melhor.




Agora era pedalar até Montemor-o-Novo onde terminaria esta etapa. Pelo caminho passamos pelo marco 500 na aldeia de Ciborro que estava originalmente bem decorado.




Chegamos a Montemor-o-Novo pelas 16:15 e fomos directos para o local onde pernoitamos "Maria Gertrudes Alojamento Local".
Aproveitamos o tempo livre para dar uma volta pela cidade e conhecer melhor Montemor-o-Novo, incluindo o Castelo. Ao jantar aceitamos a sugestão, e degustamos uma sopa da Cação. No final, demos mias uma voltinha para ajudar na digestão e fomos descansar.


Dia 26 de agosto, o despertador tocou às 6:00 am. A rotina do costume... Preparar tudo e lá seguimos nós para o nosso 5º dia de aventura.
Eram 7:00 am e já tínhamos Montemor-o-Novo nas costas.




Passamos por Escoural com uma pequena paragem e seguimos em direcção a Alcáçovas. Antes de lá chegar passamos por algumas paisagens dignas de reportagem e também pelo marco do km 550.









Em Alcáçovas visitamos a igreja matriz, a capela das conchas (apesar de fechada) e o museus do chocalho alentejano. Na vila uma residente teve a amabilidade de pagar uma pastel tradicional a cada um de nós. Gente muito simpática e hospedeira.











 Logo depois de deixar Alcáçovas passamos o marco do km 555 e lá continuamos em direcção a Ferreira do Alentejo com mais paisagens típicas do Alentejo.






Passagem pela freguesia do Torrão onde obtivemos o diploma de passagem pela EN2 no Torrão.



Lá continuamos a pedalar até chegar a Odivelas, aqui fizemos uma paragem "técnica" no snackbar "O Gato". Mais uma vez a famosa bifana fez parte do nosso reforço alimentar em jeito de almoço.




Na chegada a Ferreira do Alentejo, entramos pela vila dentro com jeito de desorientados, sem que nado o fizesse prever um automobilista, o António (nome fictício) parou o carro ao nosso lado e de forma bastante prestável perguntou "precisam de ajuda?" ao que prontamente respondemos que precisávamos de saber onde carimbar o passaporte em Ferreira do Alentejo. Ele deu-nos as indicações precisas e desejou-nos boa viagem. Acabou por confessar que tinha efectuado a EN2 à uma semana atrás de carro. Lá fomos direitinhos ao local que o António nos indicara, carimbamos e lá seguimos viagem.



Já em direcção a Aljustrel assistimos a um renascer do Alentejo, são hectares e hectares de olival e amendoal. Mais à frente já em Ervidel, começam a aparecer gigantescas plantações de melões e meloas. Não resistimos à tentação! Paramos as bicicletas, demos uma olhadela de 360º e o "Carvalho num ápice pediu um melão branco emprestado ao dono". Ainda mal tínhamos recomeçado a pedalar e ouvimos alguém aos gritos, gritos esses que provinham de uma barraca temporária instalada algures do outro lado da estrada, só se percebia "melão, melão". Olhei para trás e sussurrei ao Carvalho "Olha o dono dos melões. Estamos feitos!". Lá fomos nós em direcção à barraca bastante apreensivos. Lá nos esperava o famoso "Che Guevara" de Ervidel, afinal ele nem sequer tinha visto o que havíamos feito 500 metros a trás, chamou-nos porque nos queria felicitar e oferecer uma meloa para a viagem. Paramos ali por 20 minutos, ajudamos o Che a terminar a marcação da EN2 no seu mapa de papel, ouvimos algumas das suas histórias, demos umas valentes risadas e regressamos à estrada.





Ainda víamos a barraca do Che quando para um carro que seguia em sentido contrário, alguém abre o vidro e ouvi: "Olha o Márcio". Acabávamos de nos cruzar com o Eduardo da Habirobim e o seu filho que também estavam a fazer a EN2, mas em sentido contrário. Que alegria! Afinal não é todos os dias que nos cruzamos com dois conterrâneos a quase 600 km de casa.


Até Aljustrel mais 2 registos fotográficos.




Em Aljustrel e com os termómetros nos 38ºC, paramos para beber alguma coisa fresca e carimbar o passaporte no restaurante "Pires". Tiramos algumas fotos na rotunda logo em frente e seguimos viagem.




 Dali em diante e até Castro Verde mais do mesmo, longas rectas, brutas planícies, passagem pelo marco do km 638 e momento em que nos voltamos a cruzar com a família da Carla Fernandes, desta vez com direito a foto.










Chegamos a Castro Verde por volta das 17:30. Fomos directos para parque de campismo onde o Manel já tinha alugado um bungalow para a gente pernoitar. Comemos uma sopa à moda do Manel e massa esparguete com bife de frango grelhado. No final do jantar viemos tomar café à recepção do parque e acabamos por descobrir que a família da Carla e o Miguel (o motard ) também lá estavam a pernoitar. Estivemos ali meia hora a confraternizar e de seguida fomos descansar.


Dia 27 de agosto, o último e derradeiro dia da nossa aventura, eram 6:00am e já tocava o despertador.
Era importante que saíssemos o quanto antes, apesar dos escassos 96 km que nos separavam do destino final, ainda tínhamos a desconhecida e afamada serra do caldeirão para subir.

Eram 7:00 am e já estávamos a pedalar, a saída de Castro Verde mostrou-se difícil devido atrofio do nosso GPS. Esta situação valeu-nos quase 4 km às voltas dentro de Castro Verde.

Quase logo após termos saído de Castro Verde, apareceu o marco do km 650.



Quase logo de seguida passamos Almodôvar, onde paramos no posto de combustível à entrada da vila para carimbar o passaporte e seguimos viagem.



Mais à frente passamos pelo marco do km 666.



Mais algumas imagens antes de entrar no sotavento algarvio.





Deixamos o Alentejo para trás e chagamos ao concelho de Loulé. Aqui começámos a subir verdadeiramente a serra do Caldeirão. Começavam aqui as 365 curvas do caldeirão.



Daqui até São Brás de Alportel entre subidas e descidas passamos pela "Fonte da Seiceira", Ameixial, marco do km 700, casa do cantoneiro e miradouro da Serra do Caldeirão.








Na chegada a São Brás de Alportel, paramos no restaurante "Sabores do Campo" para almoçar. Ali comemos o prato do dia que era arroz de feijão com solha frita, bebemos uma bom vinho maduro branco da casa e lá seguimos viagem. A próxima paragem foi no recém inaugurado museu da EN2 em São Brás de Alportel. Entramos, carimbamos, o Manel escreveu uma mensagem no quadro de honra e lá seguimos viagem.







Estávamos a 17 km de Faro e apesar do tráfego intenso fizemos o percurso em 35 minutos sem grandes percalços. Lá, estavam à nossa espera a família da Carla Fernandes. O Miguel Vale chegou pouco depois com um grupo de motorizadas 50cc.



Desta forma demos por terminada a nossa digressão pela EN 2. Uma experiência fantástica que recomendamos que faça pelo menos uma vez na vida independentemente do meio que utilize para se locomover.


Vídeo da Aventura:



Mapa Wikiloc

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